Ficha de estudo do caso para a AV1

Profa Fernanda Calixto

CESMAC 2026.2

Nomes dos alunos:

Turma:

1. Identificação

Nome oficial do caso

Órgão, tribunal ou organização envolvida

Partes ou sujeitos

Ano da decisão ou dos acontecimentos

Fontes que você leu e pesquisou para preparar esta ficha

2. Contexto

Acontecimentos históricos e políticos indispensáveis

Origem da controvérsia

3. Fatos juridicamente relevantes

  • O que aconteceu
  • Quais condutas geraram a controvérsia
  • Quais pretensões foram apresentadas

4. Problema jurídico

  • Qual pergunta jurídica central precisava ser respondida

5. Sujeitos do Direito Internacional

Quais sujeitos participaram

Qual era a capacidade jurídica de cada um

Se havia indivíduos, Estados, organizações ou outros atores

6. Fontes aplicáveis

Tratados

Costume internacional

Princípios gerais

Atos unilaterais

Jurisprudência e doutrina como meios auxiliares

Normas de jus cogens, quando pertinentes

7. Competência e procedimento

  • Por que aquele órgão poderia atuar
  • Como o caso chegou à instância internacional
  • Eventuais requisitos de admissibilidade

8. Decisão ou desfecho

  • Conclusão adotada
  • Fundamentos principais
  • Obrigações, reparações ou consequências

9. Importância do caso

  • Contribuição para o Direito Internacional
  • Possíveis críticas ou controvérsias
  • Influência sobre casos posteriores

10. Conexão com o Brasil

Repercussão na ordem jurídica brasileira

Aproximação com a Constituição

Relação com tratados incorporados pelo Brasil

Eventual precedente brasileiro comparável

ESTRUTURA DA PROVA

Os alunos ingressam na sala em duplas.

1

1ª parte

Entrega da ficha do caso + Exposição inicial: "Este é o caso... Ele envolveu... A controvérsia jurídica central era... O órgão decidiu... O caso é importante porque..."

2

2ª parte

Rodada de perguntas da professora

3

3ª parte

Cartas-desafio: Depois das perguntas, o estudante sorteia uma carta contendo uma alteração nos fatos ou uma exigência de aplicação.

Barema

Níveis de desempenho

Excelente: (9,0 -10,0)

Explica com precisão, relaciona fatos, fontes e conceitos e responde autonomamente às situações novas.

Adequado: (7,0 – 8,9)

Compreende o caso e a teoria, mas apresenta pequenas imprecisões ou necessita de perguntas de apoio.

Parcial: (6,0 a 6,9)

Conhece os fatos principais, mas tem dificuldade para explicar os fundamentos jurídicos.

Insuficiente: (0,1 a 5,0)

Apresenta informações fragmentadas, não identifica a controvérsia ou não consegue relacionar o caso à teoria.

LISTA DE CASOS QUE PODEM SER ESCOLHIDOS

1. Sujeitos do Direito Internacional Público

Formação, reconhecimento e soberania dos Estados

1

Sudão do Sul, 2011

Utilizado para demonstrar a aplicação dos requisitos da Convenção de Montevideú e o reconhecimento de um novo Estado.

2

Anexação da Crimeia pela Rússia, 2014

Estudada a partir da tensão entre autodeterminação dos povos, integridade territorial, soberania e proibição da intervenção.

3

Declaração de independência do Kosovo e Parecer Consultivo da CIJ, 2008–2010

Empregada para discutir reconhecimento estatal, secessão, autodeterminação e os requisitos da estatalidade.

4

Reconhecimento da Palestina pela ONU, 2012

Aborda a Resolução nº 67/19 da Assembleia Geral da ONU, o status de Estado observador não membro e a personalidade jurídica internacional gradual ou limitada.

5

Tentativa de independência da Catalunha, 2017

Utilizada para diferenciar autodeterminação interna, autonomia e autodeterminação externa ou secessão.

6

Tuvalu e Kiribati diante da elevação do nível do mar

Situação concreta apresentada para discutir se um Estado pode conservar sua personalidade jurídica caso perca seu território em consequência das mudanças climáticas.

Responsabilidade internacional dos Estados

1

Invasão do Kuwait e reparações impostas ao Iraque, 1990–1991

Exemplo de responsabilidade internacional estatal e das diferentes modalidades de reparação.

2

Nicarágua versus Estados Unidos, CIJ, 1986

Caso sobre apoio norte-americano aos contras, mineração de portos, uso da força, não intervenção, responsabilidade internacional e aplicação do costume internacional.

3

Caso Lockerbie, 1988–2003

Abrange o atentado ao voo Pan Am 103, a responsabilização de agentes líbios, as sanções contra a Líbia, o julgamento em Camp Zeist e a indenização às famílias das vítimas.

Personalidade jurídica das organizações internacionais

1

Reparação de Danos Sofridos a Serviço das Nações Unidas, Parecer Consultivo da CIJ, 1949

Precedente utilizado para demonstrar que a ONU possui personalidade jurídica internacional própria, distinta da personalidade de seus Estados-membros.

2

MINUSTAH no Haiti, 2004–2017

Demonstra a capacidade da ONU de celebrar acordos, empregar forças e atuar autonomamente. O material também menciona a epidemia de cólera atribuída aos capacetes azuis.

3

Brexit e caso Wightman, TJUE, 2018

O Tribunal de Justiça da União Europeia reconheceu a possibilidade de revogação unilateral da notificação de saída apresentada pelo Reino Unido com fundamento no art. 50 do Tratado da União Europeia.

4

Atuação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha na Guerra da Síria

Utilizada para demonstrar a atuação autônoma do CICV na negociação de acesso humanitário com Estados e grupos armados.

Santa Sé e Vaticano

1

Tratado de Latrão, 1929

Estudado como instrumento de criação do Estado da Cidade do Vaticano e de solução da chamada Questão Romana.

2

Mediação da Santa Sé no conflito do Canal de Beagle, 1978–1984

Exemplo de atuação internacional da Santa Sé na solução pacífica da controvérsia entre Argentina e Chile.

Indivíduos como sujeitos de Direito Internacional

1

Julgamento de Adolf Eichmann, 1961

Utilizado para demonstrar a responsabilização penal internacional do indivíduo por crimes contra a humanidade e genocídio.

2

Velásquez Rodríguez versus Honduras, Corte IDH, 1988

Caso sobre desaparecimento forçado, dever estatal de investigar e responsabilidade internacional por violações de direitos humanos.

3

Gomes Lund e outros versus Brasil, Corte IDH, 2010

Caso da Guerrilha do Araguaia, utilizado para demonstrar a jurisdição internacional sobre os Estados e a incompatibilidade da Lei de Anistia com a investigação de graves violações de direitos humanos.

4

Tavares Pereira e outros versus Brasil, Corte IDH

Apresentado no material como caso relacionado à violência policial, reparações, garantias de não repetição e reformas institucionais.

5

Sales Pimenta versus Brasil, Corte IDH, 2022

Caso do assassinato do advogado e defensor de direitos humanos Gabriel Sales Pimenta, envolvendo impunidade, dever de investigação e medidas de reparações.

Tribunal Penal Internacional

1

Situação em Darfur e caso Omar al-Bashir

Utilizado para discutir genocídio, crimes contra a humanidade, imunidade de chefe de Estado, mandado de prisão e dificuldades de cooperação com o TPI.

2

Situação na Ucrânia e mandado de prisão contra Vladimir Putin, 2023

Estudo sobre a deportação ilegal de crianças ucranianas e as dificuldades para executar um mandado contra o chefe de Estado de país que não integra o Estatuto de Roma.

3

Prosecutor versus Dominic Ongwen, TPI, 2021

Caso do antigo menino-soldado posteriormente condenado por crimes internacionais. O material propõe discutir a tensão entre sua condição anterior de vítima e sua responsabilidade como perpetrador.

Empresas e meio ambiente

1

Shell no Delta do Níger e Kiobel versus Royal Dutch Petroleum, Suprema Corte dos EUA, 2013

Utilizado para discutir danos ambientais, violações de direitos humanos, responsabilidade de empresas multinacionais e os limites da aplicação extraterritorial do Alien Tort Statute.

2

Urgenda Foundation versus Países Baixos, 2019

Caso de litigância climática no qual particulares e organizações buscaram responsabilizar o Estado por insuficiência das políticas de redução de emissões.

Caso consultivo indicado para debate

Legalidade da Ameaça ou Uso de Armas Nucleares, Parecer Consultivo da CIJ, 1996

Indicado como referência para discutir a centralidade da pessoa humana e os limites jurídicos do uso de armas nucleares.

2. Fontes do Direito Internacional Público

Tratados e costume internacional

1

Controvérsia Territorial e Marítima, Nicarágua versus Colômbia, CIJ, 2012

Empregada para explicar a aplicação conjunta de tratados e normas costumeiras na delimitação marítima no Caribe.

2

Nicarágua versus Estados Unidos, CIJ, 1986

Utilizado para demonstrar os elementos do costume internacional, especialmente a prática estatal e a opinio juris. Também aparece no material sobre sujeitos.

Princípios gerais e obrigações internacionais

1

Fronteira Terrestre e Marítima entre Camarões e Nigéria, CIJ, 2002

Mencionado para exemplificar a aplicação da autoridade da coisa julgada, res judicata.

2

Barcelona Traction, Bélgica versus Espanha, CIJ, 1970

Precedente relacionado à distinção entre obrigações erga omnes e obrigações devidas apenas entre as partes.

3

Testes Nucleares, Austrália e Nova Zelândia versus França, CIJ, 1974

Caso central para o estudo dos atos unilaterais. A CIJ reconheceu a força vinculante das declarações públicas francesas sobre o encerramento dos testes nucleares atmosféricos.

4

Aplicação da Convenção sobre Genocídio, Bósnia e Herzegovina versus Sérvia e Montenegro, CIJ, 2007

Mencionado para tratar da proibição do genocídio como norma imperativa.

5

Prosecutor versus Anto Furundžija, TPII, 1998

Utilizado para apresentar a proibição da tortura como obrigação absoluta e norma de caráter imperativo.

6

Timor-Leste, Portugal versus Austrália, CIJ, 1995

Empregado para demonstrar o caráter erga omnes do direito à autodeterminação dos povos.

Relação entre tratados e direito brasileiro

1

RE nº 80.004/SE, STF, 1977

Precedente sobre conflito entre tratado internacional e lei interna posterior.

2

RE nº 466.343/SP, STF, 2008

Caso paradigmático da prisão civil do depositário infiel e da natureza supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos aprovados sem o rito do art. 5º, § 3º, da Constituição.

3

RE nº 253.071, STF

Mencionado no contexto da Convenção de Viena sobre Relações Consulares e da hierarquia dos tratados comuns no ordenamento brasileiro.

3. Apresentação sobre a introdução ao Direito Internacional

Fonte: apresentação "Uma praia entre dois mundos".

39. Crise migratória em Ceuta, julho de 2026

A situação é utilizada para estudar: Estado, território e soberania; responsabilidade internacional;